Vencedora do Prémio Jovem Investigador explora métodos inovadores de produção de modelos de nicho ecológico mais fiáveis para espécies altamente móveis

Novas abordagens de modelação propostas por Kate Ingenloff, candidata a PhD na Universidade do Kansas, poderão melhorar a precisão de mapas usados para moldar a gestão e políticas de espécies ameaçadas e migratórias, vetores de doenças humanas

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Kate Ingenloff, 2018 GBIF Young Researchers Award winner

Kate Ingenloff, aluna de doutoramento do Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, é uma das duas vencedoras do Prémio de Jovens Investigadores GBIF 2018. A sua investigação combina registos de ocorrência da rede GBIF com dados ambientais e comportamentais com escalas temporais específicas, de modo a melhorar na precisão biológica e preditiva de modelos para espécies migratórias e outras altamente móveis usadas em investigação, conservação e políticas.

Os mapas de distribuição de espécies têm um papel influente no planeamento e implementação de ações de conservação. Mas os métodos tradicionais para produzir os modelos de nicho ecológico, nos quais esses mapas são baseados, não são precisos em relação a variáveis ​​biológicas, ambientais e temporais. Para espécies que migram ou cobrem grandes distâncias, o tratamento destes dados como se fossem estáticos tem o efeito de excluir informações biológicas importantes, como idade, sexo e estado de reprodução, e de sobreestimar ou generalizar escalas de espécies, que variam ao longo do tempo.

A pesquisa de Ingenloff assume o desafio de modelar relações específicas para duas espécies bem conhecidas e ricas em dados: tordo dos bosques (Hylocichla mustelina) e albatroz errante (Diomedia exulans), com base em informação temporal e comportamental destas espécies. O conhecimento disponível sobre a ampla distribuição do tordo dos bosques nas Américas do Norte e Central, torna-o um excelente candidato para testar projeções temporalmente explícitas, passo-a-passo, nos modelos.

Uma das aves marinhas mais bem estudadas dos Oceanos do Sul, o albatroz-errante está atualmente na lista vermelha como “vulnerável”. Mas, num artigo de 2017, Ingenloff destacou as limitações dos modelos tradicionais para explicar os padrões ecológicos desta ave ao longo do tempo e do espaço. O estudo serve como base para o seu esforço atual para desenvolver modelos melhores e que considerem as características biológicas, tanto de D. exulans, como para espécies semelhantes.

“A abordagem de Kate para incorporar informações ambientais e temporais, em modelos de nicho ecológico é altamente inovadora”, disse A. Townsend Peterson, professor da Universidade do Kansas e orientador de Ingenloff. “Espero que a abordagem que a Kate está a explorar mude completamente os métodos nesta área, de modo a que os futuros modelos de nicho ecológico sejam muito diferentes daqueles que estão em voga atualmente”.

“O objetivo da minha pesquisa é duplo”, disse Ingenloff. “Primeiro, quero melhorar a nossa capacidade de gerar modelos que sejam espacial e temporalmente explícitos para uso em planeamento de conservação. E segundo, espero desenvolver um método que extraia informações biológicas críticas, provenientes de dados de observação de acesso aberto, que permitam calibrar modelos melhores e mais biologicamente informados”, disse Ingenloff.

“Sem a riqueza de dados disponíveis da rede GBIF - que serve essencialmente como big data para biogeografia - minha pesquisa não seria possível”.

Ingenloff está já a desempenhar um papel ativo na comunidade GBIF, transferindo conhecimento e especialização através de mentorados de aumento de capacitação e atividades de formação) em todo mundo. Ela intervém como mentor de projectos para cinco projectos BID em África e, mais recentemente, atuou como formadora em modelação de nicho ecológico num workshop para uso de dados no BID Pacífico.

Ingenloff é o primeira estado-unidense a ganhar o prémio e a segunda vencedora indicada pela delegação dos EUA, que em 2010 (primeiro ano do prémio) apresentou o nome de Andrés Lira-Noriega, um investigador do México que estudava nos EUA. Ingenloff é a terceira ganhadora da Universidade do Kansas, precedida por Lira-Noriega em 2010 e Vijay Barve em 2013.

O Comité Científico do GBIF selecionou Ingenloff e Raquel Gaião Silva, uma estudante de mestrado de Portugal, de um grupo de 14 candidatos nomeados por chefes de delegação de 11 países participantes do GBIF. Os membros do comité observam que o estudo de Ingenloff “representa muito mais do que mais um estudo de caso, mas uma nova forma de usar dados de ocorrência de espécies, para responder a muitas questões diferentes de ecologia, evolução e conservação da biodiversidade”.

Sobre o prémio

Desde a sua criação em 2010, o Prémio Anual Jovens Investigadores GBIF busca promover e incentivar a inovação em pesquisas relacionadas com biodiversidade usando dados partilhados através da rede GBIF.

Sobre o Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas

O Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas estuda a vida do planeta em benefício da Terra e de seus habitantes. O instituto, incluindo o Museu de História Natural da Universidade do Kansas, realiza esta missão através da aquisição, curadoria e estudo de coleções de plantas, animais, material fóssil e artefatos culturais para graduação, pós-graduação e educação pública, bem como pesquisa e serviço público e profissional. Saiba mais em https://biodiversity.ku.edu

Sobre o GBIF

O GBIF - o Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade - é uma rede internacional e infraestrutura de investigação financiada por governos de todo o mundo e tem como objetivo fornecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar, o acesso aberto a dados sobre todos os tipos de vida na Terra. Saiba mais em https://www.gbif.org.